Compartilhe

EXCLUSIVO:  Com filha de três meses e trabalhando na roça, motorista que perdeu emprego após postagem de IA desabafa

Pela primeira vez, o motorista que perdeu o emprego depois que uma imagem atribuída a ele viralizou nas redes sociais, falou sobre o caso. Ao  TO Em Notícia, ele contou  o que vive depois da repercussão. O jovem Jederson Sousa da Silva, de 25 anos, que trabalhava como motorista de ambulância da prefeitura de Sampaio, na região do Bico do Papagaio, desde 2024, afirmou que a situação afetou profundamente sua vida pessoal e profissional.

O episódio começou no dia 5 de janeiro, quando circulou nas redes sociais uma imagem que mostrava um porco que seria transportado dentro de uma ambulância municipal, atribuída ao plantão de Jederson. A postagem viralizou e provocou reação imediata da população. Diante da repercussão negativa, a Prefeitura de Sampaio abriu procedimento administrativo e, em um primeiro momento, exonerou o motorista sob a alegação de uso indevido do veículo oficial.

Posteriormente, a gestão municipal voltou atrás em parte da posição e reconheceu que a imagem era uma montagem gerada por inteligência artificial (IA), sem relação com os veículos oficiais ou com os serviços de saúde locais, conforme nota oficial emitida pela prefeitura. Mesmo assim, Jederson permanece afastado das funções e ainda lutando para retomar sua vida normal após o episódio.

Em entrevista exclusiva ao TO Em Notícia, Jederson descreveu o turbilhão de sentimentos e prejuízos que enfrentou desde então. “Recebi muitas mensagens de ofensas das pessoas, me chamando de tudo que é nome no WhatsApp, estou muito triste com isso, mas também sigo firme porque sei da minha confiança que nunca faria uma coisa dessa, isso me prejudiciou muito e a pessoa que fez isso, fez de maldade”, relatou o motorista, visivelmente marcado pela experiência.

O jovem contou ainda que ganhava pouco mais de um salário mínimo como motorista e que, quando estava de folga, trabalhava na roça com o plantio de milho para reforçar a renda da família. Ele é pai de uma filha de três meses, e agora enfrenta dificuldades financeiras e emocionais após a exposição negativa.

No dia em que a imagem atribuída a ele viralizou, Jederson prestou depoimento na Delegacia de Praia Norte e procurou uma advogada para acompanhar o caso, buscando responsabilizar quem criou e compartilhou a imagem falsa.

Especialistas em direito têm destacado que a criação e disseminação de imagens falsas que resultam em danos reais à reputação de pessoas pode configurar crime, especialmente quando há intenção de prejudicar deliberadamente terceiros. Para além das implicações penais, a vítima pode buscar reparação civil pelos prejuízos sofridos, caso consiga identificar os responsáveis pela fabricação e distribuição da imagem. Dados mais amplos sobre crimes relacionados à difusão de conteúdo falso podem ser acessados em portais jurídicos e notícias especializadas.

O caso em Sampaio segue recebendo atenção de moradores e autoridades locais, e levanta novamente o debate sobre os limites do uso de inteligência artificial na criação de conteúdos visualmente convincentes, mas falsos. Isso coloca em foco a necessidade de fiscalização mais rigorosa e de mecanismos de proteção para evitar que cidadãos comuns sejam expostos a danos irreversíveis por conta de postagens enganosas.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *