Um documento apresentado nesta segunda-feira, 11 de agosto de 2025, pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) define a estratégia do setor para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro, em Belém (PA). O texto, intitulado Agronegócio Frente às Mudanças Climáticas – Posicionamento do Setor para a COP30, afirma que o campo nacional pretende se colocar como componente essencial das respostas à crise climática.
De acordo com a Abag, o agronegócio brasileiro é altamente exposto aos impactos do aquecimento global, mas também dispõe de “grande potencial” para reduzir emissões de gases de efeito estufa e garantir segurança alimentar. Para alcançar esses resultados, o documento defende a adoção de práticas agrícolas adaptadas às condições tropicais do país, como:
- uso eficiente de recursos naturais;
- cultivo de variedades mais resistentes a estresses climáticos;
- manejo sustentável do solo.
A entidade sustenta que o avanço dessas técnicas depende da ampliação de financiamento com critérios “objetivos e transparentes”, capazes de incentivar tecnologias sustentáveis. A Abag também propõe a “tropicalização” de métricas e metodologias usadas no mercado de carbono, de modo a adequá-las à realidade brasileira sem comprometer a credibilidade internacional dos projetos. Na avaliação da associação, a COP30 oferece uma oportunidade para o Brasil se posicionar como liderança em agricultura de baixo carbono, desde que apresente resultados concretos em regulamentações, tecnologias, metodologias e sistemas de registro.
Relatórios recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas, fazem ressalvas ao modelo predominante no agronegócio nacional. Entre os pontos citados estão a produção em larga escala, associada ao aumento de emissões e à redução da biodiversidade; o metano oriundo da pecuária; e o desmatamento. O IPCC alerta ainda que práticas de adaptação, como o uso intensivo de irrigação, podem gerar impactos negativos na biodiversidade, na disponibilidade de água, na salinização dos solos e nos meios de subsistência de pequenos produtores.
Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Com esses argumentos, a Abag pretende levar à COP30 uma agenda que combine redução de emissões, expansão de financiamento verde e adequação de regras internacionais ao contexto tropical brasileiro.
Com informações de Agência Brasil







